quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A Diversidade tem direito a Igualdade

Infelizmente ainda hoje se trata de um tema polêmico ou motivo de piada como sendo algo desnecessário ou mera “frescura” de quem utiliza e defende a sigla ou até mesmo faz parte da sigla. 
É bom ter um “nome” algo pelo que você possa gritar e defender, a sigla LGBTQIA+ é exatamente este “nome” onde classificam-se, ainda que seja uma ousadia utilizar a palavra “classificar” neste meio tão diverso e livre, “L” para Lésbicas, “G” para Gays, “B” para Bissexuais, “T” para Transsexuais, Travestis e Transgêneros, “Q” para Queers, “I” para Interssexuais, “A” para Assexuados, e “+” indicando a possibilidade de ser acrescentada qualquer outra letra que represente outras formas de gênero e sexualidade. 
Este é o nosso nome, é por ele que defendemos nossa maneira de agir e de ser, e ao mesmo tempo ajuda quem não entende muito bem estes outros gêneros e sexualidades, afinal não é necessário que você seja um ativista LGBT para que tenha respeito para com este grupo, algo pelo qual estamos lutando: Respeito e Igualdade. 
As classificações dentro desta sigla ajudam a entender um pouco mais este segmento da sociedade, o que auxilia na conquista por respeito e direito de voz, sendo que algumas representam orientação sexual, identidade de gênero, expressão de gênero e comumente o próprio sexo biológico. 
A identidade de gênero se dá por como o indivíduo se vê, o que na cabeça dele ele é, mulher ou homem, enquanto que a expressão de gênero é sua maneira de agir, interagir e se vestir, forma como você demostra seu gênero, sendo feminina, andrógeno ou masculino. Orientação sexual, heterossexual, bissexual ou homossexual, normalmente é o mais falado e questionado, se refere a quem você é atraído emocionalmente, aquele pelo qual você vai ter suas paixonites ou até seus grandes amores, mas brincadeiras à parte, quero ressaltar que nem sempre ter uma atração emocional por um gênero significa que há uma atração física e vice-versa. Por último o sexo biológico, classificado através dos órgãos genitais, podendo ser feminino, intersexual e masculino, uma observação deve ser levada em nota, jamais classifique um intersexual como sendo hermafrodita. 
Tendo entendimento destas orientações fica mais fácil compreender esse movimento, e porque ele é tão necessário, porém não vamos ser dogmáticos, afinal por mais que haja essas tais classificações citadas a respeito da sigla no segundo parágrafo, não significa que estamos sujeitos a outra regra, não se trata de passar de uma orientação binária para uma “septanária” ou “decenária”, em síntese se trata de simplesmente viver a sua maneira com a sua orientação sexual ou de gênero sem ser julgado ou diferenciado pelos outros.

~ Juh Guaraná

sábado, 21 de novembro de 2015

Braços
Que envolvem
Boca
Que acaricia
Dedos 
Que fazem sentir.
Retribui tudo
Sinto que é meu dever
Minha boca na sua
Amantes temporários.
Dois homens,
Um silêncio em que tudo é dito:
Se o amor existe na Terra,
É só por esta noite.
~ Paco Sousa


Ocupe a sua escola;
Ocupe o seu espaço;
Ocupe o que é seu;
Não permita que te digam o que fazer com que é seu;
Ocupe o que lhe pertence;
Ocupe a sua escola;
Faça valer o seu espaço;
Ocupe o seu tempo naquele espaço;
Ocupe espaço;
É seu; É sua;
Ocupe seus direitos;
Desfrute de seus professores;
Da sua biblioteca;
Das salas de aula;
Da sabedoria;
Desfrute; Ocupe;
Ocupe sua escola, seu bairro, sua cidade, seu país;
Ocupe o que é seu;
Não deixe que te tirem o direito; É seu;
Seja aluno;
Seja cidadão;
Seja até um pouco de professor;
Ensine pra quem acha que pode te tirar o que é seu que não, não pode;
Então;
Ocupe sua escola; Desfrute;

~ Victor Lara

Os alunos estão se mobilizando, tendo ou não suas escolas nas listas de escolas que vão fechar eles estão ocupando seu lugar. "Não vão nos calar" gritamos! A escola é nossa e vamos ficar com ela!

http://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2015/10/contra-o-fechamento-de-escolas-alunos-nao-se-calam-e-cobram-mais-direitos-698.html


Um corpo nadando no contemporâneo

"Ao suspirar para a vida
Agarrado pela juba selvagem
Silenciado pela boca pintada
Metido naquele corpo gritante
A leoa me raptou."


Foto: Caio Mello
Modelo: Loucas Figueiras





O templo de cada um, resguardado e aberto, feito e desfeito. O corpo é o eixo da relação do indivíduo com o mundo e nesse processo de existência individual e coletiva ele assume o caráter de colecionador de imaginários sociais, dentre outras funções de diversos tipos. Colecionando memórias afetivas e sociais, de pouco em pouco se caracteriza a morada dos desejos, das realizações e desgraças de cada sujeito social. No contemporâneo, cada vez mais múltiplo, o corpo se evidencia não apenas como a formação morfológica de membros, órgãos e funções que transita de um lado para o outro, mas também como uma ferramenta de expressão dos (des) contentamentos pessoais, da identidade e subjetividades. Se descortinando de normas e atrelando-o às discussões que dizem respeito ao gênero, encontramos nessa carcaça sóciahistórica e cultural a oportunidade de explorar o leque fabuloso que temos diante da criatividade humana. Gênero, como instrumento analítico, nos permite analisar o papel social que assumimos dia após dia. Deixando de lado padrões enraizados, ao pensar e materializar o corpo e considerando a complexidade rica trazida pelas questões de gênero, as possibilidades de se mostrar para si mesmo e ao mundo se pluralizam. O corpo desenha a diversidade humana, com suas maneiras de ser mulher, homem, LGBTQIA+, heterossexual, com diferentes cores, etnias e ideologias. Temos em mãos diferentes opções de ser e estar no mundo ao mesmo que encontramos pela frente um muro de determinações, padrões e hierarquias. Subvertendo, diversificando e incomodando seguimos o nadando.

~ Caio Mello

Saluba Nanã!


Esta última semana foi uma semana difícil para a humanidade. Minas, Paris, Japão, Síria, são apenas alguns exemplos. Mas em nossas esferas pessoais também encontramos dificuldades, e acredito que uma delas seja a dificuldade em entender que somos seres complexos, que não precisamos nos polarizar. O que isso significa? Que não precisamos estar o tempo todo “contra” ou “a favor” de algo, nem ser especificamente uma coisa ou outra, temos muitas características, tudo que acontece nas nossas vidas constrói quem somos. Não existem pessoas ou entidades completamente “do bem” ou “do mal”, boas ou más são as ações que são tomadas e, entenda, não estou querendo defender ou acusar ninguém neste momento. Pense bem, para podermos ajudar a melhorar o mundo de alguma maneira, não é mais produtivo entendermos os “porquês” e ser pelo menos um pouco compreensivos? Se entendemos como as coisas funcionam e o motivo delas acontecerem, é mais fácil de mudarmos com consistência o rumo, o curso dos acontecimentos.
Hoje em dia, principalmente, mas não somente nos ativismos online, as pessoas estão sempre preocupadas em ler textos breves, e formar opiniões rapidamente. Passamos muito tempo dando scroll no facebook só parando para ver posts breves, com uma imagem forte e algumas frases que costumam ser polarizadas, que não deixam espaço para diálogo. E se usássemos este tempo para ler algo com mais calma, para assistir pessoas tendo debates reais, ou mesmo tendo conversas reais com as pessoas e falando sobre o mundo de maneira profunda, como as coisas merecem serem conversadas? E se fossemos capazes de perceber e neutralizar o capacitismo, racismo, transfobia, homofobia, machismo, gordofobia, intolerância religiosa e de qualquer outro tipo dentro de nós mesmos e nos outros, ajudando a desconstruir o que for necessário? Empoderando aqueles que julgamos que precisam acreditar mais em si (e isso pode incluir a si próprio)?
Tantas são as dicotomias que se colocam no mundo, e que poderiam ser quebradas. Negros, brancos, heterossexuais, homossexuais, religião, ciência, mulheres, homens, Minas, Paris... todos sofremos, muitos fazem os outros sofrerem. Será que é de mais agressão e mais violência que precisamos para mudar? Podemos aprender, podemos dar forças a quem precisa de forças, oferecer apoio e amor a todos os enfermos, e não apenas os que vemos mais na TV ou os que estão mais próximos. Somos todos seres viventes desse planeta, e é uma ilusão pensar que nossas ações diárias não têm consequências no mundo.
Veja bem, não estou dizendo que não há motivo para indignação, para raiva, para tristeza. Meu questionamento é acerca do que fazemos sobre esses sentimentos. Agir com raiva com indignação, com pesar, com medo, não gera a mudança que precisamos ver no mundo, a mudança da tolerância, da paz, da aceitação, da colaboração. Mudanças nos paradigmas do próprio capitalismo, do próprio sistema de classes, de gênero, mudanças dentro das religiões para buscar o fim do fundamentalismo. Muitas coisas precisam ser feitas, mas acredito que propagar o ódio, a raiva, no momento não é uma delas.
Presumir que qualquer grupo específico tenha o mesmo conjunto de características é o que se define como preconceito. Acreditar que o fundamentalismo é algo exclusivo de uma religião, ou que está presente em todos os templos e casas de espiritualidade é preconceito. Sabemos que está presente em muitas, mais do que deveria, está presente no Brasil, por exemplo, e tira vidas de diversas minorias diariamente. É importante entender que o problema está em ser extremista, fundamentalista, não aceitar divergências, o que ele pode acontecer na política, na filosofia, mesmo na arte, não é uma exclusividade religiosa. Acreditar que Minas ou a Síria ou Paris ou qualquer lugar do mundo tem valor maior ou menor. Todas as pessoas deveriam ter direito a coexistir de maneira saudável, não faz sentido colocarmos vidas humanas em uma balança.
Ontem no templo de umbanda que frequento, cantamos juntas um ponto para Nanã senhora. Saluba Nanã! “Nanã é protetora nas situações tormentosas e nas perseguições kármicas (...) Conhecida no meio umbandista como a senhora da lei e da firmeza, a ela recorrem todos os que estão em dúvidas nas situações tormentosas da vida.” Seus domínios são os mangues, os ribeirões, ela é senhora das águas paradas e da chuva, da lama. A lenda diz que quando Oxalá criou a humanidade ele criou com o barro que Nanã lhe deu, e com o sopro de Olorum ele caminhou. Mas quando morremos, devemos retornar a terra, a Nanã, a nossa mãe.
O que acho importante é lembrar, nessa semana tão difícil, que somos parte de um todo, mesmo para quem não acredita (e todos tem o direito de acreditar apenas no que quiserem, ou em nada, pois somos livres para isso) que somos centelhas divinas, pensando de uma maneira mais estrutural, nós dividimos a mesma casa, que é esse planeta. E acredito que uma casa cheia de amor é uma casa mais feliz do que uma casa cheia de rancor e discórdia. Espero que possamos manter a calma nesses momentos de tamanha dificuldade, mas que isso não nos deixe inertes, dormentes. Que possamos lutar pelo que achamos justo, mas que essa luta seja principalmente através da sororidade, da fraternidade, do carinho, da colaboração e da consciência.

~ Louie Marine